O que é DBO e DQO e qual a importância desses parâmetros no tratamento de efluentes?

DBO e DQO são parâmetros fundamentais na análise de efluentes e na avaliação da qualidade da água. A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) mede a quantidade de oxigênio necessária para degradar a matéria orgânica biodegradável presentes no efluente, enquanto a Demanda Química de Oxigênio (DQO) quantifica toda a matéria orgânica passível de oxidação, independentemente de ser biodegradável ou não. Esses índices são essenciais para determinar o nível de poluição e a viabilidade de tratamento de efluentes industriais, comerciais e residenciais.

Para empresas, indústrias e empreendimentos que utilizam poços artesianos ou captam água subterrânea, entender a importância desses parâmetros é crucial na regularização ambiental e na conformidade com órgãos como CETESB, SP Águas e Vigilância Sanitária. A análise de DBO e DQO permite identificar se o efluente está adequado para lançamento em corpos hídricos ou se necessita de tratamento específico, evitando passivos ambientais e garantindo a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Conhecer esses indicadores também auxilia na gestão ambiental de propriedades rurais, condomínios e comércios que geram efluentes, permitindo implementar soluções eficazes de tratamento e obter as licenças necessárias junto aos órgãos ambientais competentes.

O que é DBO e DQO: Definições e Diferenças Fundamentais

DBO e DQO são dois indicadores essenciais para caracterizar e monitorar efluentes, amplamente empregados em processos de tratamento de água e avaliação da qualidade ambiental. Ambos quantificam a matéria orgânica presente em uma amostra, porém através de mecanismos distintos e com implicações diferentes para o meio ambiente. Dominar essas diferenças é fundamental para profissionais envolvidos com gestão de recursos hídricos, análise de água ou regularização ambiental de empreendimentos.

DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio): Conceito e Medição

A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) representa a quantidade de oxigênio necessária para que microrganismos aeróbios decomponham a matéria orgânica biodegradável em uma amostra de água. Trata-se de um parâmetro que mede especificamente a fração de poluentes passível de degradação biológica em período determinado, geralmente cinco dias a 20°C, razão pela qual é frequentemente designada como DBO₅.

O processo de medição envolve incubar a amostra em condições controladas, permitindo que bactérias naturais consumam o oxigênio dissolvido enquanto degradam a matéria orgânica. A diferença entre o oxigênio inicial e final representa a demanda bioquímica. Este parâmetro é particularmente relevante porque reflete o impacto real que o efluente pode causar em um corpo d’água, uma vez que apenas a matéria orgânica biodegradável é considerada.

Em efluentes domésticos, a DBO típica varia entre 200 e 600 mg/L, enquanto em águas naturais limpas, os valores são inferiores a 5 mg/L. Concentrações elevadas indicam maior potencial de consumo de oxigênio dissolvido no corpo receptor, podendo levar à eutrofização e morte de organismos aquáticos.

DQO (Demanda Química de Oxigênio): O que é e Como Funciona

A Demanda Química de Oxigênio (DQO) mede a quantidade total de oxigênio necessária para oxidar quimicamente toda a matéria orgânica e inorgânica oxidável presente na amostra, independentemente de ser biodegradável. Diferentemente da DBO, que depende da ação de microrganismos, a DQO utiliza um agente químico oxidante forte, como dicromato de potássio ou permanganato de potássio, para oxidar os compostos presentes.

O teste é realizado em laboratório sob condições controladas de temperatura e pressão, geralmente em ambiente ácido com catalisador de prata. O processo ocorre rapidamente, em poucas horas, tornando-o mais prático que a DBO para fins de monitoramento e controle operacional. A DQO fornece uma medida mais abrangente da poluição orgânica, incluindo compostos que não são facilmente degradáveis biologicamente.

Em efluentes domésticos, a DQO geralmente varia entre 400 e 1200 mg/L, sendo sempre igual ou superior à DBO. Sua importância reside na capacidade de detectar poluentes refratários, ou seja, aqueles que resistem à degradação biológica e podem persistir no ambiente por longos períodos.

Principais Diferenças entre DBO e DQO

  • Mecanismo de medição: DBO utiliza decomposição biológica por microrganismos, enquanto DQO emprega oxidação química com agentes oxidantes fortes.
  • Tempo de análise: DBO requer cinco dias de incubação; DQO pode ser realizada em poucas horas.
  • Escopo de matéria orgânica: DBO mede apenas a fração biodegradável; DQO mede toda matéria orgânica e inorgânica oxidável.
  • Relação entre valores: DQO é sempre maior ou igual à DBO, pois inclui compostos não biodegradáveis.
  • Aplicabilidade: DBO é mais relevante para avaliar impacto ecológico; DQO é melhor para caracterizar efluentes complexos e monitoramento em tempo real.
  • Sensibilidade a toxinas: DBO pode ser afetada por substâncias tóxicas que inibem microrganismos; DQO não sofre essa influência.

Importância da DBO e DQO no Tratamento de Efluentes

A análise desses parâmetros é fundamental em qualquer processo de tratamento de efluentes, seja em estações de tratamento municipais, indústrias ou sistemas descentralizados. Eles fornecem informações críticas sobre a carga poluente, a eficiência do tratamento e a conformidade com regulamentações ambientais. Sem compreender e controlar esses índices, é impossível garantir a proteção dos recursos hídricos e a sustentabilidade ambiental.

Por que Analisar DBO e DQO em Efluentes Industriais

Efluentes industriais apresentam características altamente variáveis conforme o tipo de processo produtivo. Indústrias de alimentos, bebidas, têxteis, papel e celulose, química e farmacêutica geram efluentes com elevadas concentrações de ambos os parâmetros. Sua análise permite identificar a natureza e intensidade da poluição, dimensionar adequadamente os sistemas de tratamento e prever o comportamento do efluente no corpo receptor.

Para indústrias, essa análise é obrigatória para obtenção e manutenção de licenças ambientais. Órgãos como a CETESB, em São Paulo, estabelecem limites específicos que variam conforme o tipo de indústria e o corpo d’água receptor. O não cumprimento desses limites pode resultar em multas pesadas, interdição da atividade e responsabilidade civil por danos ambientais.

Além disso, a razão entre DBO e DQO (conhecida como razão DBO/DQO) fornece informações sobre a biodegradabilidade do efluente. Razões acima de 0,5 indicam efluentes facilmente tratáveis biologicamente, enquanto razões menores sugerem presença significativa de compostos refratários que exigem tratamentos mais avançados.

Impacto da DBO e DQO na Qualidade da Água e Meio Ambiente

Quando efluentes com elevada DBO são lançados em corpos d’água sem tratamento adequado, ocorre consumo acelerado de oxigênio dissolvido pelos microrganismos decompostos. Isso cria condições anaeróbias, levando à morte de peixes, eliminação de vida aquática e geração de odores desagradáveis. Este processo, denominado eutrofização, degrada progressivamente a qualidade da água e compromete seus usos múltiplos.

A DQO, por sua vez, indica a presença de poluentes mais resistentes que podem persistir no ambiente mesmo após tratamento biológico convencional. Esses compostos refratários podem bioacumular em organismos aquáticos, contaminar águas subterrâneas e prejudicar a saúde humana se utilizados para abastecimento público. A presença de elevada DQO em relação à DBO é um indicador de que tratamentos mais avançados, como oxidação química, ozonização ou filtração por carvão ativado, podem ser necessários.

Em poços artesianos e sistemas de água subterrânea, a contaminação por efluentes com alta DBO e DQO é particularmente preocupante, pois a água subterrânea se regenera muito lentamente. Uma vez contaminada, pode levar décadas ou séculos para recuperação natural. Por isso, a análise de qualidade da água em poços é essencial para detectar precocemente qualquer contaminação.

Relação entre DBO e DQO na Caracterização de Efluentes

A razão DBO/DQO é um indicador crucial da composição e tratabilidade de um efluente. Quando essa razão é superior a 0,5, o efluente contém principalmente matéria orgânica facilmente biodegradável, adequado para tratamento biológico convencional. Quando a razão é inferior a 0,3, o efluente é considerado refratário, exigindo tratamentos mais sofisticados como coagulação, floculação, adsorção ou processos oxidativos avançados.

A análise conjunta desses dois parâmetros também permite estimar a eficiência esperada de diferentes tecnologias de tratamento. Por exemplo, um reator biológico sequencial (SBR) pode remover 80-90% da DBO de um efluente doméstico, mas pode não ser suficiente para reduzir a DQO aos limites legais se houver presença significativa de compostos refratários. Nesses casos, tratamentos complementares são necessários.

Empresas que necessitam de análise de água onde fazer devem solicitar que o laboratório forneça ambos os parâmetros, além de outros complementares, para obter uma caracterização completa do efluente e definir a estratégia de tratamento mais adequada.

Padrões e Limites Legais para DBO e DQO

A legislação ambiental brasileira estabelece limites rigorosos para lançamento de efluentes, tanto em redes coletoras quanto em corpos d’água superficiais. Esses limites variam conforme a localização geográfica, o tipo de corpo receptor e o tipo de atividade geradora do efluente. O não cumprimento desses padrões resulta em sanções administrativas, penalidades financeiras e possível responsabilidade civil.

Normas e Regulamentações para Lançamento de Efluentes

No Estado de São Paulo, a Resolução CONAMA nº 430/2011 estabelece os limites máximos para lançamento de efluentes em corpos d’água. Para DBO, o limite geral é de 120 mg/L, com redução mínima de 80% em relação à concentração do efluente bruto. Para DQO, não existe um limite específico na legislação federal, mas estados e municípios podem estabelecer seus próprios padrões.

A CETESB, órgão ambiental do Estado de São Paulo, possui normas técnicas complementares que estabelecem padrões ainda mais rigorosos em algumas situações. Para lançamento em rios com baixa vazão ou em áreas de proteção, os limites de DBO podem ser reduzidos para 60 mg/L ou até 40 mg/L. Esses limites mais restritivos visam proteger corpos d’água sensíveis e manter a qualidade das águas superficiais.

Indústrias específicas possuem regulamentações setoriais ainda mais exigentes. Indústrias de alimentos, por exemplo, frequentemente devem atender a limites de DBO inferiores a 100 mg/L. Indústrias têxteis, que geram efluentes com elevada DQO refratária, enfrentam desafios ainda maiores e geralmente precisam implementar tratamentos avançados para conformidade.

Condições para Descarte em Redes Coletoras e Corpos d’Água

Para descarte em redes coletoras de esgoto, a Norma Técnica nº 195/89 da SABESP estabelece limites menos rigorosos que para lançamento direto em corpos d’água, já que o efluente será tratado novamente na estação de tratamento municipal. Os limites típicos para DBO em redes coletoras são de 300-600 mg/L, dependendo da localidade. Porém, efluentes com DQO muito elevada podem prejudicar o processo de tratamento municipal e são frequentemente rejeitados.

Para lançamento direto em corpos d’água superficiais, os limites são muito mais restritivos. Além da DBO máxima de 120 mg/L e redução mínima de 80%, o efluente deve atender a diversos outros parâmetros como pH (6 a 9), sólidos suspensos (máximo 100 mg/L), óleos e graxas, metais pesados e outras substâncias tóxicas. A combinação de todos esses requisitos torna o lançamento direto uma opção viável apenas para efluentes que recebem tratamento completo e adequado.

Em áreas de recarga de aquíferos ou próximo a poços de abastecimento, as restrições são ainda mais severas. A contaminação de água subterrânea por efluentes inadequadamente tratados é uma das maiores preocupações ambientais, pois a recuperação é extremamente lenta e cara. Por isso, empresas localizadas em áreas sensíveis devem implementar sistemas de tratamento robusto e monitoramento contínuo.

Métodos de Análise e Medição de DBO e DQO

A medição precisa desses parâmetros requer técnicas laboratoriais padronizadas, equipamentos adequados e profissionais treinados. Os métodos utilizados devem seguir protocolos internacionalmente reconhecidos para garantir confiabilidade dos resultados e aceitação perante órgãos ambientais reguladores.

Como Medir DBO: Procedimentos e Técnicas

O teste de DBO₅ é realizado segundo a metodologia descrita no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, adotado internacionalmente. O procedimento envolve coletar uma amostra de efluente, diluir adequadamente (geralmente em proporções como 1%, 5%, 10%, dependendo da concentração esperada), e incubar em frasco de vidro especial, completamente preenchido para evitar contato com ar, a 20°C por exatamente cinco dias.

Antes da incubação, mede-se a concentração de oxigênio dissolvido inicial usando um oxímetro calibrado. Após cinco dias, mede-se novamente o oxigênio dissolvido. A diferença entre as duas leituras, multiplicada pelo fator de diluição, fornece a DBO₅ em mg/L. Se a amostra for muito concentrada, são preparadas várias diluições para obter leituras na faixa ideal (entre 2 e 6 mg/L de consumo de oxigênio).

Um aspecto crítico é a inoculação adequada com microrganismos. Se a amostra não contiver bactérias suficientes, adiciona-se um inóculo padrão, geralmente água de esgoto tratada ou culturas bacterianas específicas. A qualidade do inóculo afeta diretamente a precisão do resultado. Além disso, amostras tóxicas podem inibir o crescimento bacteriano, levando a resultados subestimados.

Laboratórios que realizam essas análises devem estar acreditados por órgãos como INMETRO e manter programas rigorosos de controle de qualidade. Qualquer empresa que necessite de análise de água em SP deve verificar se o laboratório escolhido possui acreditação e segue rigorosamente os protocolos internacionais.

Como Medir DQO: Metodologia e Equipamentos

A medição de DQO é mais rápida e padronizada. O método mais comum é o teste de refluxo fechado com dicromato de potássio em meio ácido, descrito no Standard Methods. A amostra é diluída adequadamente e misturada com solução de dicromato de potássio, ácido sulfúrico concentrado e sulfato de mercúrio (para eliminar interferências de cloretos). A mistura é aquecida a 150°C por duas horas em tubo de vidro fechado.

Durante o aquecimento, o dicromato oxida toda matéria orgânica e inorgânica oxidável presente. Após resfriamento, a solução é titulada com sulfato ferroso amoniacal ou analisada por espectrofotometria para determinar o dicromato residual. A diferença entre o dicromato inicial e final, convertida adequadamente, fornece a DQO em mg/L.

Equipamentos necessários incluem um digestor DQO (bloco aquecedor ou reator específico), tubos de vidro resistentes a alta temperatura, espectrofotômetro ou buretas para titulação, e reagentes de alta pureza. Laboratórios modernos utilizam kits comerciais pré-preparados que simplificam o procedimento e reduzem erros. A análise de uma amostra leva aproximadamente 3-4 horas, comparado aos cinco dias necessários para DBO.

A precisão é afetada pela presença de cloretos em concentrações elevadas, que podem ser oxidados e gerar resultados falsamente elevados. Por isso, amostras com salinidade alta requerem tratamento especial com sulfato de mercúrio para complexar os cloretos. Laboratórios experientes aplicam essas correções automaticamente conforme a composição da amostra.

Aplicações Práticas: DBO e DQO em Diferentes Tipos de Efluentes

A interpretação desses parâmetros varia significativamente conforme o tipo de efluente analisado. Efluentes domésticos, industriais e agrícolas apresentam características distintas que exigem abordagens diferentes de tratamento e monitoramento.

DBO e DQO em Efluentes Domésticos

Efluentes domésticos típicos apresentam DBO entre 200 e 600 mg/L, com valores médios em torno de 300 mg/L. A DQO geralmente varia entre 400 e 1200 mg/L, com razão DBO/DQO típica de 0,5 a 0,7, indicando que a maior parte da matéria orgânica é biodegradável. Essa característica torna esses efluentes adequados para tratamento biológico convencional, como lagoas de estabilização, reatores de lodos ativados ou wetlands construídos.

A composição inclui principalmente proteínas (de excretas e restos de alimentos), carboidratos, lipídios e celulose. Esses compostos são facilmente degradáveis por microrganismos naturais, razão pela qual sistemas biológicos conseguem remover 80-95% da DBO original. Após tratamento adequado, a DBO residual deve ser inferior a 30 mg/L para atender aos padrões de lançamento em corpos d’água.

Estações de tratamento de esgoto municipais monitoram continuamente a DBO afluente e efluente para avaliar a eficiência operacional. Aumentos inesperados na DBO afluente podem indicar descargas clandestinas de efluentes industriais na rede coletora, exigindo investigação e ação corretiva. Sistemas bem operados conseguem manter a DBO efluente abaixo de 30 mg/L consistentemente.

DBO e DQO em Efluentes Industriais e Biológicos

Efluentes industriais apresentam grande variabilidade conforme o tipo de atividade. Indústrias de alimentos e bebidas geram efluentes com DBO muito elevada (500-5000 mg/L ou mais), principalmente de açúcares fermentáveis, óleos e proteínas. Apesar da alta DBO, a razão DBO/DQO é geralmente favorável (0,4-0,7), permitindo tratamento biológico, porém exigindo sistemas de grande capacidade.

Indústrias têxteis, por outro lado, geram efluentes com DQO muito elevada (1000-3000 mg/L) mas DBO relativamente baixa, resultando em razão DBO/DQO inferior a 0,3. Isso ocorre porque muitos corantes e auxiliares têxteis são refratários, resistindo à degradação biológica. Esses efluentes frequentemente exigem tratamentos avançados como coagulação química, adsorção em carvão ativado, ou oxidação com ozônio ou peróxido de hidrogênio.

Efluentes de indústrias químicas e farmacêuticas podem conter compostos tóxicos que inibem o crescimento bacteriano, resultando em DBO subestimada. Nesses casos, a DQO fornece uma medida mais confiável da carga poluente total. Além disso, muitos produtos químicos são refratários, exigindo tratamentos específicos como incineração ou oxidação eletroquímica.

Efluentes de suinocultura e avicultura apresentam características intermediárias, com DBO entre 800 e 3000 mg/L e razão DBO/DQO em torno de 0,5-0,6. Esses efluentes são altamente putrescíveis e geram odores intensos se não tratados rapidamente. Sistemas de tratamento para esses efluentes geralmente combinam tratamento biológico com manejo de sólidos e controle de odor.

Soluções e Problemas Comuns no Tratamento de DBO e DQO

Apesar da disponibilidade de tecnologias consagradas de tratamento, muitas empresas enfrentam dificuldades em manter esses parâmetros dentro dos limites legais. Compreender os problemas comuns e as soluções disponíveis é essencial para garantir conformidade ambiental.

Problemas Frequentes na Redução de DBO e DQO

Um problema muito comum é o subdimensionamento do sistema de tratamento. Empresas que expandem sua produção frequentemente não ampliam proporcionalmente a capacidade de tratamento de efluentes, resultando em sobrecarga do sistema. Reatores biológicos sobrecarregados não conseguem degradar toda matéria orgânica, resultando em elevação da DBO efluente. A solução é aumentar o tempo de detenção hidráulica ou expandir o volume do reator.

Outro problema frequente é a variação temporal da carga. Indústrias com operação intermitente ou sazonal geram picos de efluente que o sistema não consegue processar. Nesses casos, a construção de tanques de equalização, que armazenam o efluente e o liberam gradualmente, pode resolver o problema. Tanques de equalização reduzem as flutuações de carga e melhoram a eficiência de tratamento.

Presença de substâncias tóxicas ou inibidoras é outro desafio significativo. Alguns efluentes contêm metais pesados, fenóis, cianetos ou outros compostos que matam as bactérias do reator, interrompendo o processo de degradação. Nesses casos, é necessário implementar um pré-tratamento que remova esses compostos antes do reator biológico, como coagulação, floculação, ou precipitação química.

Falta de nutrientes (nitrogênio e fósforo) também pode limitar a degradação biológica. Embora efluentes domésticos geralmente contenham nutrientes suficientes, alguns efluentes industriais são deficientes. Nesses casos, a adição de fertilizantes como ureia ou fosfato diamônico pode melhorar significativamente a eficiência de tratamento.

Problemas operacionais como aeração inadequada em reatores aeróbios, falha no controle de pH, ou falta de controle de sólidos suspensos também resultam em elevação de DBO e DQO efluente. Monitoramento contínuo de parâmetros operacionais e manutenção preventiva são essenciais para evitar esses problemas.

Tecnologias e Soluções para Reduzir DBO e DQO

Para efluentes com elevada DBO facilmente biodegradável, sistemas biológicos convencionais como lodos ativados, reatores sequenciais em batelada (SBR), ou biofiltros são altamente eficazes, removendo 80-95% da DBO com custo relativamente baixo. Esses sistemas são particularmente adequados para efluentes domésticos e alguns efluentes industriais como alimentos e bebidas.

Para efluentes com elevada DQO refratária, tratamentos avançados são necessários. A coagulação química com sulfato de alumínio ou cloreto férrico remove uma fração significativa de matéria orgânica coloidal, reduzindo DQO em 20-40%. A adsorção em carvão ativado é muito eficaz para remover compostos orgânicos refratários, reduzindo DQO em até 80%, porém com custo operacional elevado. O carvão saturado deve ser regenerado ou disposto adequadamente, adicionando complexidade ao processo.

Processos oxidativos avançados (POA), como ozonização, fotocatálise com TiO₂, ou oxidação com peróxido de hidrogênio em presença de catalisadores, são muito eficazes para degradar compostos refratários. Esses processos geram radicais livres que quebram as moléculas orgânicas complexas em compostos menores e mais facilmente biodegradáveis. Após POA, o efluente pode ser submetido a tratamento biológico complementar para remover os produtos de degradação.

Wetlands construídos ou lagoas de estabilização são soluções elegantes e de baixo custo para pequenas e médias empresas, especialmente em áreas rurais. Esses sistemas combinam processos biológicos, físicos e químicos em ambiente natural, removendo eficientemente DBO, DQO, nutrientes e patógenos. O tempo de detenção é mais longo (dias a semanas), mas o custo operacional é mínimo.

Para efluentes com características muito complexas ou variáveis, sistemas de tratamento combinado podem ser necessários. Por exemplo: pré-tratamento (peneiramento, sedimentação), tratamento primário (coagulação-floculação), tratamento secundário (biológico), tratamento terciário (adsorção, oxidação avançada), e polimento final (filtração, desinfecção). Essa abordagem garante conformidade mesmo com efluentes desafiadores.

Algumas empresas implementam programas de prevenção de poluição, reduzindo a geração de efluentes na fonte através de modificações no processo produtivo. Essa abordagem é mais sustentável e economicamente vantajosa que tratar efluentes já gerados. Exemplos incluem substituição de matérias-primas menos tóxicas, reutilização de água de processo, e otimização de receitas de produção.

Outros Parâmetros Complementares na Análise de Efluentes

Embora DBO e DQO sejam parâmetros fundamentais, a caracterização completa de um efluente exige análise de diversos outros indicadores que afetam tanto o tratamento quanto o impacto ambiental.

pH e Sua Relação com DBO e DQO

O pH é um parâmetro crítico que afeta diretamente a eficiência de degradação biológica. Bactérias heterotróficas que degradam matéria orgânica (e portanto reduzem DBO) funcionam otimamente em pH entre 6,5 e 8,0. Efluentes muito ácidos (pH < 5) ou muito alcalinos (pH > 9) inibem o crescimento bacteriano, resultando em redução inadequada de DBO. A solução é adicionar ácido ou base para neutralizar o efluente antes do tratamento biológico.

O pH também afeta a oxidação química (e portanto a medição de DQO). O teste requer meio ácido para que o dicromato oxide eficientemente toda matéria orgânica. Se a amostra for coletada em pH muito alto, a DQO medida pode ser subestimada. Por isso, amostras devem ser coletadas e preservadas adequadamente, geralmente com acidificação para pH < 2.

Além disso, o pH afeta a solubilidade de compostos químicos e a precipitação de metais. Alguns efluentes contêm metais pesados que são tóxicos às bactérias. Em pH baixo, esses metais permanecem em solução e tóxicos; em pH elevado, precipitam e tornam-se menos disponíveis biologicamente. Ajuste de pH é frequentemente o primeiro passo no tratamento de efluentes contaminados com metais.

Parâmetros Exigidos por Lei na Análise de Efluentes

Além de DBO e DQO, a Resolução CONAMA nº 430/2011 exige análise de diversos outros parâmetros para lançamento de efluentes. Sólidos suspensos totais (SST) devem ser inferiores a 100 mg/L, pois podem causar assoreamento de corpos d’água e reduzir a penetração de luz. Óleos e graxas devem estar ausentes ou em concentração máxima de 5 mg/L, pois formam filmes na superfície da água impedindo transferência de oxigênio.

O pH deve estar entre 6 e 9, garantindo que o efluente não seja muito ácido ou alcalino. Metais pesados como cádmio, chumbo, cromo, mercúrio e níquel devem estar abaixo de limites específicos estabelecidos pela legislação. Compostos

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